À PF, Eduardo Bolsonaro diz que intervenção era “cogitação futura e incerta”

 À PF, Eduardo Bolsonaro diz que intervenção era “cogitação futura e incerta”

Em depoimento sigiloso prestado na última terça-feira, 22 de setembro, em Brasília e obtido com exclusividade pela CNN, o deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que “atualmente” não acredita em uma ruptura democrática e que as entrevistas que deu sugerindo o assunto se tratavam de “análise de cenário” dentro de uma “cogitação futura e incerta”.

“Sobre o significado da afirmação dada em entrevista a Allan dos Santos de que defendia uma ‘ação energética’ em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal, respondeu que ‘foi uma análise de um cenário e não uma defesa de ideia, que a frase está na esfera de cogitação futura e incerta, que inexiste qualquer tipo de organização voltada para a subversão da ordem democrática. E que o termo ação energética não se refere a nenhuma conduta específica, tão somente a uma atuação política mais efetiva. Ressalto ainda que não se trata de medida de intervenção militar ou de interferência em outros poderes’; indagado sobre quais elementos ou dados levam o declarante à afirmar que a ruptura institucional não é uma opinião de ‘se’, mas ‘quando’, respondeu que ‘minha declaração foi feita no contexto dos acontecimentos de divergência entre os poderes Executivo e o Judiciário, mas que atualmente não acredito que tal ruptura possa ocorrer'”.

Os policiais também o questionam sobre reuniões na casa de Allan dos Santos para tratar dos atos. “Indagado se integra ou integrou um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp GENGIS HOUSE/QG Estado Maior, respondeu que não se recorda se integra ou integrou esses grupos e que por ser uma pessoa pública o declarante é adicionado em diversos grupos independente da sua concordância”. (…) “Indagado se tem conhecimento da finalidade e periodicidade das reuniões na casa de Allan dos Santos, respondeu que desconhece a periodicidade dessas reuniões, mas que se recorda de ter participado de uma reunião em 2019 na casa de Allan, e que em tal encontro houve um bate papo de diversos temas; indagado quem pautava ou definia os temas que seriam discutidos, respondeu que desconhece, foi uma reunião desorganizada, sem ordem para falas ou de qualquer outro tipo de organização procedimental.” (…) “Indagado se há adesão do declarante às ideias professadas por Allan dos Santos, ou seja, de intervenção militar, respondeu que “desconheço essa ideia de Allan dos Santos e não cogito o emprego das Forças Armadas para tal fim; Em relação às falas do declarante publicadas em entrevista ao ‘Canal Terça Livre’ em 27 de maio de 2020, foi indagado sobre o significado da afirmação dada em entrevista a Allan dos Santos de que defendia uma “ação energética” em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal, respondeu que “foi uma análise de um cenário e não uma defesa de ideia, que a frase está na esfera de cogitação futura e incerta, que inexiste qualquer tipo de organização voltada para a subversão da ordem democrática. E que o termo ação energética não se refere a nenhuma conduta específica, tão somente a uma atuação política mais efetiva. Ressalto ainda que não se trata de medida de intervenção militar ou de interferência em outros poderes”; indagado sobre quais elementos ou dados levam o declarante à afirmar que a ruptura institucional não é uma opinião de “se”, mas “quando”, respondeu que “minha declaração foi feita no contexto dos acontecimentos de divergência entre os poderes Executivo e o Judiciário, mas que atualmente não acredito que tal ruptura possa ocorrer”.

“Indagado se o declarante apoia atos praticados por Sara veiculados pela mídia relacionado ao Grupo dos 300 e sobre manifestações feitas sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal, respondeu que “em que pese discordar de diversas condutas patrocinadas pelo Grupo 300 e Sara Winter, acredito que sua prisão se deu de maneira arbitrária, inclusive sendo criticada por juristas, e também entendo que a melhor maneira de se solucionar eventuais conflitos seria através de ação judicial individual”. (…)

Indagado se já produziu ou repassou mensagem ou material (documento, meme, fotografias, vídeos etc) com conteúdo que incitasse a animosidade das Forças Armadas contra o Supremo Tribunal Federal/Ministros ou Congresso Nacional/parlamentares, respondeu que não; perguntado se já produziu ou repassou mensagem ou material (documento, meme, fotografias, vídeo etc) com conteúdo que promovesse, incitasse ou exaltasse o desrespeito a ordens judiciais ou a posicionamentos públicos de parlamentares por meio de atos coercitivos (violência ou ameaça) respondeu que não; perguntado se já produziu ou repassou mensagem ou material (documento, meme, fotografias, vídeos etc) com conteúdo que tratasse “de processos violentos ou ilegais para alteração da ordem política ou social”, respondeu que não; perguntado se já produziu ou repassou mensagem ou material (documento, meme, fotografias, vídeos etc) com conteúdo ilegal, respondeu que não; indagado se utiliza ou já utilizou outras pessoas para a prática de quaisquer desses fatos perguntas, respondeu que não; indagado se conhece as pessoas responsáveis pela organização ou difusão dos eventos realizados em frente ao quartel-geral do Exército no dia 19/04/2020, respondeu que não; indagado se de alguma forma participou, estimulou, organizou ou patrocinou, por qualquer meio citado, evento respondeu que não; indagado se de alguma forma participou, estimulou, organizou ou patrocinou por qualquer meio citado do evento respondeu que não; indagado se conhece as pessoas responsáveis pela organização ou patrocinou da ação realizada em junho de 2020 em frente ao Supremo Tribunal Federal em que foram disparados fogos de artifício em direção ao referido prédio, respondeu que não”.

Em despacho recente, a delegada da Polícia Federal que conduz a investigação pelo órgão, Denisse Dias Ribeiro, pede a Alexandre de Moraes diligências contra o Foco do Brasil, um dos principais canais conservadores do país e que transmitiu ao vivo os atos no dia 19 de abril deste ano. Foram esses atos que motivaram a abertura do inquérito. “Identificou-se que o Foco do Brasil monetizou, entre março de 2019 e maio de 2020, o montante de US$ 330.887, dados que reforçam a necessidade de realização de ação de busca e apreensão no local”. O valor ultrapassa R$ 1,5 milhão. O mandado foi autorizado por Alexandre de Moraes.

Os policiais questionam se Eduardo sabe se os empresários José Luís Magalhães Salazar, da Centauro; Flávio Gurgel Rocha, da Riachuelo; Luciano Hang, da Havan; Afrânio Barreira Filho, do Coco Bambu; e Renato Duski Júnior, do Madero, têm alguma ligação com os atos; ele diz desconhecer.

Eduardo Bolsonaro disse à Polícia Federal que nunca repassou ou orientou a produção de fake news. “Em relação aos fatos mencionados na criação ou divulgação de conteúdos falsos na internet, foi indagado se já produziu ou repassou mensagem ou material (documento, meme, fotografias, vídeos etc) com conteúdo falso, respondeu que não; indagado se já orientou, estimulou ou incentivou por qualquer forma e qualquer pessoa a produção ou divulgação de mensagem ou material (documento, meme, fotografias, vídeos etc) com conteúdo falso, respondeu que não”.

Sobre o relatório do Facebook, o deputado diz que “o Atlantic Council realizou uma identificação precária de alguns militantes de redes sociais pró-Bolsonaro como forma de dar uma resposta a uma suposta leniência da empresa Facebook em temas relacionados a crime de ódio e fake news, e que “tal ação foi tomada mesmo sem definição do que sejam essas condutas”.

Eduardo também disse “que a Atlantic Council apenas pegou carona em uma falsa narrativa que opositores políticos e ideológicos do atual governo federal tentam construir diariamente, qual seja, a de insinuar que o grande alcance do governo Bolsonaro nas redes sociais é algo inorgânico e ou artificial”.

A Polícia Federal perguntou ao filho do presidente sobre dois funcionários seus também investigados: Carlos Eduardo Guimarães e Paulo Eduardo Lopes, o Paulo Chuchu.

Eles questionam se Eduardo sabe que as páginas Eduardo Guimarães, Bolsofeios, Bolsogordos e Gato Fingido são vinculadas a Carlos Guimarães, ele responde que sabia apenas da página Boslofeio, “após divulgação da mídia”, e que “tal página tinha apenas conteúdo humorístico”. Indagado se “determinou ou estimulou” a atuação de ambos nas práticas noticiadas pelo relatório da Atlantic Council, disse que não. Os policiais também questionam se seu irmão, Carlos Bolsonaro, tinha alguma relação com os fatos noticiados pelo Atlantic Council, Eduardo também diz que não.

Portal Novos Tempos – Fonte: CNN

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