16 de junho de 2024

4 pessoas com deficiência relatam a rotina nos tempos de Covid-19

4 pessoas com deficiência relatam a rotina nos tempos de Covid-19 ...

 
No último dia 4 de abril, a profissional de marketing Ieska Tubaldini Labão faria sua festa de aniversário de 30 anos para 70 convidados. “Eu planejava essa festa desde os meus 28 anos”, conta ela, que é cadeirante em razão da Amiotrofia Muscular Espinhal, uma doença degenerativa, e precisa de cuidados diários. “Mas eu a cancelei antes mesmo de começarem os decretos de quarentena.”
 
Com o alto risco de se contaminar por coronavírus, Ieska está em isolamento total desde 8 de março e suspendeu até as sessões de fisioterapia, essenciais para pacientes com distrofias musculares.
 
‘Ali, eu faço de tudo’, diz médico paraplégico que trabalha na linha de frente ao coronavírus
Pessoas com deficiência, chamadas de PcD, podem ter mais chances de se infectar pelo novo coronavírus por terem dificuldade em seguir as orientações de proteção individual indicadas pela Organização Mundial da Saúde. Segundo a OMS, quanto mais limitada a locomoção e quanto maior a necessidade de cuidado, mais exposta à Covid-19 estará a pessoa.
 
“Como minha síndrome é degenerativa, quanto menos eu movimentar meu corpo, mais rápido ele para e perde os movimentos”, explica Ieska. “Eu tenho sentido bastante os efeitos desse momento e procurado me movimentar em casa, mas não é a mesma coisa de ter a assistência da minha fisioterapeuta, que cuida de mim há 25 anos.”
 
A médica Ana Lucia Langer, porta-voz da Aliança Distrofia Brasil, explica que além da impossibilidade de se manterem afastados das pessoas por necessitarem de cuidadores, pacientes com atrofias e distrofias musculares têm coração e pulmão afetados. Qualquer infecção e febre nessas pessoas, segundo a médica, “leva a uma piora da doença, aumentando a fraqueza muscular motora, cardíaca e respiratória.”
 
Ieska afirma que está acostumada a ficar mais de uma semana sem sair. “O isolamento é a realidade de muitos com deficiência por causa da falta de acessibilidade. Estou ok com o isolamento social neste momento, mas o que me angustia é estar proibida, não poder sair nem para o meu único compromisso fora de casa [a fisioterapia] e, principalmente, não poder receber visitas”, diz ela.

adauto Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

E-mail: adautoferreira1958@hotmail.com